Festival de Igatú

Festival de Forró da Chapada

Livro com informações sobre a bacia do rio Paraguaçu, estratégica para o estado da Bahia.

Livro semeando

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Livro Semeando Águas no Paraguaçu

Semeadores de Água

Publicado: 20/08/2017 em Publicações

Vídeo produzido pelo Projeto Semeando Águas no Paraguaçu, com foco em mobilização social, conscientização, restauração ecológica e estudos para a revitalização da bacia do Paraguaçu, estratégica para o estado da Bahia.

 

Poço Verde (ou da Mãe D'água) - Rio Santo Antônio

Poço Verde (ou da Mãe D’água) – Rio Santo Antônio

Quem vai à Chapada Diamantina muitas vezes se engana ao achar que seus atrativos se resumem à área do Parque Nacional. Em um trabalho para o Grupo Ambientalista da Bahia – Gambá, em 2006, do qual o proprietário deste blog fez parte, em um raio de 10km ao redor do Parque Nacional, foram identificados dezenas de atrativos turísticos selvagens e culturais, vendidos e não, durante 2 meses ininterruptos em campo sem repetir nenhum atrativo. Assim dá para se saber que, se um visitante quiser conhecer todos os atrativos da Chapada Diamantina, terá que reservar mais do que este tempo.

Um bom exemplo é o rio Santo Antônio, que começa a ser chamado assim a partir do encontro do rio Preto que nasce no Parque Nacional e atravessa a cidade de Palmeiras, com o rio da Pratinha, que nasce no município de Iraquara. Após este encontro ele percorre o vale do Cercado, e depois de atravessá-lo, recebe as águas dos rios Mucugezinho, Utinga, Lençóis, São José, etc, e forma o pantanal do Marimbus entre Lençóis e Andaraí, desembocando no rio Paraguaçu, auxiliando-o a abastecer, com mais segurança, 60% da Região Metropolitana de Salvador.

Quando a estação turística é alta na Chapada Diamantina, há alguns recantos ainda vazios de público, como os atrativos do alto trecho do rio Santo Antônio, localizados na APA Estadual Marimbus-Iraquara, fora do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Ao contrário das águas escuras da maior parte da Chapada Diamantina devido ao tanino das plantas e ao óxido de ferro presente nas rochas, o rio Santo Antônio contém multicores em locais diferenciados, a depender da localização e da quantidade de águas em determinado período climático.

Quando o rio Preto não consegue encontrar o rio da Pratinha devido à degradação histórica em seu leito e a possível alteração climática na região, diminuindo suas águas, e como o Pratinha mantém a sua perenidade, há um grande volume de água de diversas cores no Santo Antônio. Como exemplo, podemos verificar o azul das águas da Fazenda Pratinha, onde nasce o rio Pratinha, e o verde do Poço Verde, também conhecido como Poço da Mãe D’água.

Dentre os atrativos do alto Santo Antônio, somente os da Fazenda Pratinha tem alta visitação, com infraestrutura já montada. Seus atrativos são altamente vendidos e explorados. Ao sair da Fazenda Pratinha, todos os atrativos vendidos e não no alto trecho do Santo Antônio são raramente usados. Um dos motivos é a distância que se percorre para se chegar a estes atrativos, direcionando-o a um público que não se importa em desfrutar somente de uma cachoeira no dia. Outro motivo é que parte dos acessos a estes atrativos estão sendo fechados por proprietários, prejudicando o uso de servidão tradicional e a visitação.

O rio Santo Antônio, dentre os 10 principais afluentes do rio Paraguaçu, é um dos mais preservados, segundo mapeamento do uso e ocupação do solo do Projeto Semeando Águas no Paraguaçu, mantendo ainda significativa cobertura vegetal em suas margens. Contém ainda, em seu alto trecho, uma diversidade de formações rochosas, em um ambiente que começa na caatinga com seu rico solo e continua no cerrado, com suas lindas flores. Surpresa ainda é encontrar uma pequena comunidade de agricultores familiares no vale do Cercado: o Sitio do Meio.

Vale à pena conhecer!

 

De 7,5km, leito do rio Piaba, afluente direto do rio Paraguaçu. Apesar de estar localizada no município de Andaraí, a sede municipal mais próxima é Mucugê, município este que se apropriou do destino e que vende este roteiro para seus visitantes.

Mapa

Em 2h de caminhada (5,5km) chega-se à Cachoeira das Três Barras, de acesso mais fácil do que os demais 2km em 2h de percurso da Cachoeira das Três Barras à Cachoeira dos Cristais.

Devido aos riscos e diversos obstáculos na trilha, é aconselhável a presença de um guia. Apesar que sempre indico o acompanhamento de guias nas trilhas da Chapada Diamantina, caso o visitante, além de querer se prevenir de riscos, queira conhecer melhor o local visitado, com interpretação ambiental e cultural.

Em período de estiagem e de seca, o rio Piaba tem seu volume bastante reduzido, e é possível não haver queda d’água nas cachoeiras. Por outro lado, é inviável fazer esta trilha após uma noite de chuva forte, pois tromba d’água e alto volume de água inviabilizam o roteiro.

Esta trilha tem diversidade de ambientes. Caso o visitante, além da presença de um guia, valorize o silêncio e o caminhar atento, pode aproveitá-la melhor, observando cada detalhe da diversidade que esta trilha tem a oferecer.

 

Trilhar pela Chapada Diamantina é muito mais do que seguir uma trilha turística. É perceber cada palavra ou som emitido por qualquer animal, é sentir cada brisa, é tocar e sentir a textura das plantas, seu cheiro, é contemplar a cada passo.

Trilhar pela Chapada Diamantina é sentir o sabor de sua culinária, sentir a temperatura da rocha, se integrar com as águas em um só corpo.

Foi neste espírito que eu, Homero, Rockão e Verônica resolvemos trilhar por caminhos não frequentados por turistas na Chapada Diamantina. Esta região é bem maior que o Parque Nacional, que contém somente parte de 6 municípios dos mais de 30 da Chapada Diamantina. A região é uma integração de diversidades em um mesmo território: cultura, história, vegetação, biomas, formações rochosas, linguajar, culinária… e haja diversidade.

Em três dias, pudemos vivenciar e nos integrar não somente ao ambiente natural, mas também ao ambiente cultural dos antigos garimpeiros que construíram as trilhas na região. Nestas, sua arquitetura centenária resiste até os dias atuais, e graças à elas muitas continuam nos proporcionando trilhar após mais de 100 anos de existência. Foi a trilha mais selvagem que já fiz pela Chapada, talvez por não ser frequentada e nem descoberta por turistas. Difícil expressar em palavras o que senti por lá. Mas pela primeira vez na Chapada tive mesmo que desistir de dormir na minha barraca para dormir com os amigos na toca do garimpeiro, pois um filhote de onça “turrava” e suas pegadas circulavam minha barraca. Não por medo da onça, coitadas que vivem correndo da gente, mas por ser filhote e pela mãe poder estar sentindo alguma ameaça. Apesar que foi ótimo dormir na toca com os amigos.

Homero e Rockão são antigos amigos que, juntos com outros amigos, fundamos a Associação dos Condutores de Visitantes da Chapada Diamantina – ACV-CD em 1999, integrando todos os guias da região em uma Rede. Neste período, sempre estávamos nos encontrando. Mas o mundo dá voltas e estes encontros passam a ser menos constantes. Verônica, que está indo morar no Vale do Capão, foi convidada por Homero a ir conosco e lembro-me que, ao iniciar a caminhada  longa por um rego antigo de garimpo, ela pensou em tirar a bota, mas percebeu que andar de bota dentro da água era o necessário naquele momento.

Cada passo é um atrativo: você sente uma brisa ao subir e, ao fazer a curva, passa ao lado de uma ruína. Atravessando-a, uma vista cênica. Ao baixar as vistas, flores sendo polinizadas por beija-flores. Ao olhar mais acima, uma cachoeira despenca do alto. Mais um passo e chegamos em uma toca, tomamos um café de um morador local e este nos acompanha em parte do trajeto, com seu dialeto e seu modo de vida. Ao nos deixar, o sol se despede e as estrelas vem nos orientar, nos clarear, nos dar um espetáculo de brilho sobre a Terra. E assim é a Chapada. E ela ainda é muito mais!

Este vídeo é somente uma pequena demonstração de uma trilha que não é visitada turisticamente. Também nem deve ser feita pelo atual turismo convencional que já é praticada em pontos turísticos da região. Ela deve ser permeada pela vivência, percepção, educação, atenção e cuidado. Descobri também que é um pequeno trecho de uma amplidão que pretendo ainda vivenciar.

Quem quiser se informar mais e/ou nos acompanhar por aventuras de integração e vivências pela Chapada, entre em contato:

Homero (Velho Urso)

(75) 8137-1679

Facebook: Homero Vieira dos Santos

Rockão

(75) 8278-1608 / 9983-0110

Facebook: Rockão trekking Ecotur

Rogério Mucugê

(71) 9181-6914 / (75) 8217-5119 whatsap

Facebook: Rogério Mucugê Miranda / Viver Chapada Diamantina