Arquivo da categoria ‘CHAPADA DIAMANTINA’

Festival de Igatú

Festival de Forró da Chapada

Poço Verde (ou da Mãe D'água) - Rio Santo Antônio

Poço Verde (ou da Mãe D’água) – Rio Santo Antônio

Quem vai à Chapada Diamantina muitas vezes se engana ao achar que seus atrativos se resumem à área do Parque Nacional. Em um trabalho para o Grupo Ambientalista da Bahia – Gambá, em 2006, do qual o proprietário deste blog fez parte, em um raio de 10km ao redor do Parque Nacional, foram identificados dezenas de atrativos turísticos selvagens e culturais, vendidos e não, durante 2 meses ininterruptos em campo sem repetir nenhum atrativo. Assim dá para se saber que, se um visitante quiser conhecer todos os atrativos da Chapada Diamantina, terá que reservar mais do que este tempo.

Um bom exemplo é o rio Santo Antônio, que começa a ser chamado assim a partir do encontro do rio Preto que nasce no Parque Nacional e atravessa a cidade de Palmeiras, com o rio da Pratinha, que nasce no município de Iraquara. Após este encontro ele percorre o vale do Cercado, e depois de atravessá-lo, recebe as águas dos rios Mucugezinho, Utinga, Lençóis, São José, etc, e forma o pantanal do Marimbus entre Lençóis e Andaraí, desembocando no rio Paraguaçu, auxiliando-o a abastecer, com mais segurança, 60% da Região Metropolitana de Salvador.

Quando a estação turística é alta na Chapada Diamantina, há alguns recantos ainda vazios de público, como os atrativos do alto trecho do rio Santo Antônio, localizados na APA Estadual Marimbus-Iraquara, fora do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Ao contrário das águas escuras da maior parte da Chapada Diamantina devido ao tanino das plantas e ao óxido de ferro presente nas rochas, o rio Santo Antônio contém multicores em locais diferenciados, a depender da localização e da quantidade de águas em determinado período climático.

Quando o rio Preto não consegue encontrar o rio da Pratinha devido à degradação histórica em seu leito e a possível alteração climática na região, diminuindo suas águas, e como o Pratinha mantém a sua perenidade, há um grande volume de água de diversas cores no Santo Antônio. Como exemplo, podemos verificar o azul das águas da Fazenda Pratinha, onde nasce o rio Pratinha, e o verde do Poço Verde, também conhecido como Poço da Mãe D’água.

Dentre os atrativos do alto Santo Antônio, somente os da Fazenda Pratinha tem alta visitação, com infraestrutura já montada. Seus atrativos são altamente vendidos e explorados. Ao sair da Fazenda Pratinha, todos os atrativos vendidos e não no alto trecho do Santo Antônio são raramente usados. Um dos motivos é a distância que se percorre para se chegar a estes atrativos, direcionando-o a um público que não se importa em desfrutar somente de uma cachoeira no dia. Outro motivo é que parte dos acessos a estes atrativos estão sendo fechados por proprietários, prejudicando o uso de servidão tradicional e a visitação.

O rio Santo Antônio, dentre os 10 principais afluentes do rio Paraguaçu, é um dos mais preservados, segundo mapeamento do uso e ocupação do solo do Projeto Semeando Águas no Paraguaçu, mantendo ainda significativa cobertura vegetal em suas margens. Contém ainda, em seu alto trecho, uma diversidade de formações rochosas, em um ambiente que começa na caatinga com seu rico solo e continua no cerrado, com suas lindas flores. Surpresa ainda é encontrar uma pequena comunidade de agricultores familiares no vale do Cercado: o Sitio do Meio.

Vale à pena conhecer!

 

De 7,5km, leito do rio Piaba, afluente direto do rio Paraguaçu. Apesar de estar localizada no município de Andaraí, a sede municipal mais próxima é Mucugê, município este que se apropriou do destino e que vende este roteiro para seus visitantes.

Mapa

Em 2h de caminhada (5,5km) chega-se à Cachoeira das Três Barras, de acesso mais fácil do que os demais 2km em 2h de percurso da Cachoeira das Três Barras à Cachoeira dos Cristais.

Devido aos riscos e diversos obstáculos na trilha, é aconselhável a presença de um guia. Apesar que sempre indico o acompanhamento de guias nas trilhas da Chapada Diamantina, caso o visitante, além de querer se prevenir de riscos, queira conhecer melhor o local visitado, com interpretação ambiental e cultural.

Em período de estiagem e de seca, o rio Piaba tem seu volume bastante reduzido, e é possível não haver queda d’água nas cachoeiras. Por outro lado, é inviável fazer esta trilha após uma noite de chuva forte, pois tromba d’água e alto volume de água inviabilizam o roteiro.

Esta trilha tem diversidade de ambientes. Caso o visitante, além da presença de um guia, valorize o silêncio e o caminhar atento, pode aproveitá-la melhor, observando cada detalhe da diversidade que esta trilha tem a oferecer.

 

Trilhar pela Chapada Diamantina é muito mais do que seguir uma trilha turística. É perceber cada palavra ou som emitido por qualquer animal, é sentir cada brisa, é tocar e sentir a textura das plantas, seu cheiro, é contemplar a cada passo.

Trilhar pela Chapada Diamantina é sentir o sabor de sua culinária, sentir a temperatura da rocha, se integrar com as águas em um só corpo.

Foi neste espírito que eu, Homero, Rockão e Verônica resolvemos trilhar por caminhos não frequentados por turistas na Chapada Diamantina. Esta região é bem maior que o Parque Nacional, que contém somente parte de 6 municípios dos mais de 30 da Chapada Diamantina. A região é uma integração de diversidades em um mesmo território: cultura, história, vegetação, biomas, formações rochosas, linguajar, culinária… e haja diversidade.

Em três dias, pudemos vivenciar e nos integrar não somente ao ambiente natural, mas também ao ambiente cultural dos antigos garimpeiros que construíram as trilhas na região. Nestas, sua arquitetura centenária resiste até os dias atuais, e graças à elas muitas continuam nos proporcionando trilhar após mais de 100 anos de existência. Foi a trilha mais selvagem que já fiz pela Chapada, talvez por não ser frequentada e nem descoberta por turistas. Difícil expressar em palavras o que senti por lá. Mas pela primeira vez na Chapada tive mesmo que desistir de dormir na minha barraca para dormir com os amigos na toca do garimpeiro, pois um filhote de onça “turrava” e suas pegadas circulavam minha barraca. Não por medo da onça, coitadas que vivem correndo da gente, mas por ser filhote e pela mãe poder estar sentindo alguma ameaça. Apesar que foi ótimo dormir na toca com os amigos.

Homero e Rockão são antigos amigos que, juntos com outros amigos, fundamos a Associação dos Condutores de Visitantes da Chapada Diamantina – ACV-CD em 1999, integrando todos os guias da região em uma Rede. Neste período, sempre estávamos nos encontrando. Mas o mundo dá voltas e estes encontros passam a ser menos constantes. Verônica, que está indo morar no Vale do Capão, foi convidada por Homero a ir conosco e lembro-me que, ao iniciar a caminhada  longa por um rego antigo de garimpo, ela pensou em tirar a bota, mas percebeu que andar de bota dentro da água era o necessário naquele momento.

Cada passo é um atrativo: você sente uma brisa ao subir e, ao fazer a curva, passa ao lado de uma ruína. Atravessando-a, uma vista cênica. Ao baixar as vistas, flores sendo polinizadas por beija-flores. Ao olhar mais acima, uma cachoeira despenca do alto. Mais um passo e chegamos em uma toca, tomamos um café de um morador local e este nos acompanha em parte do trajeto, com seu dialeto e seu modo de vida. Ao nos deixar, o sol se despede e as estrelas vem nos orientar, nos clarear, nos dar um espetáculo de brilho sobre a Terra. E assim é a Chapada. E ela ainda é muito mais!

Este vídeo é somente uma pequena demonstração de uma trilha que não é visitada turisticamente. Também nem deve ser feita pelo atual turismo convencional que já é praticada em pontos turísticos da região. Ela deve ser permeada pela vivência, percepção, educação, atenção e cuidado. Descobri também que é um pequeno trecho de uma amplidão que pretendo ainda vivenciar.

Quem quiser se informar mais e/ou nos acompanhar por aventuras de integração e vivências pela Chapada, entre em contato:

Homero (Velho Urso)

(75) 8137-1679

Facebook: Homero Vieira dos Santos

Rockão

(75) 8278-1608 / 9983-0110

Facebook: Rockão trekking Ecotur

Rogério Mucugê

(71) 9181-6914 / (75) 8217-5119 whatsap

Facebook: Rogério Mucugê Miranda / Viver Chapada Diamantina

Hoje fui fazer um passeio rotineiro sozinho. Desta vez, pensei que iria fazer uma trilha sem muitas novidades até o Poço Redondo, um dos atrativos turísticos de Mucugê mais visitado por moradores locais. Porém, surpresas apareceram no caminho.

Já comecei a trilha tarde (11h da manhã) para quem gosta de começar cedo. Mas o dia nublado ajudou. De início, comecei a trilha dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Adilia Paraguassú (com “ss” mesmo). Paraguassú é uma família tradicional de Mucugê (quem nunca ouviu falar da índia Catarina Paraguassú?). Estava quase tudo florido nos arbustos e gramíneas da RPPN. E as abelhas estavam trabalhando, principalmente polinizando as Calliandras vermelhas.

Calliandra sendo polinizada por uma abelha africana.

Calliandra sendo polinizada por uma abelha africana.

Parei em um córrego que estava com bom volume de água graças à chuva que caiu recentemente, tirei o tênis, e resolvi colocar somente a palma das mãos na água. De início, a senti geladinha. Mas logo as palmas das mãos e a água pareciam ser uma coisa só. Então enfiei as mãos na água e a água e o corpo pareciam ser um, em sintonia. Fato curioso é que aproximadamente 70% de nosso corpo é constituído de água, segundo estudiosos. Se é assim, estava firmado o contato entre as águas. Somente água fluindo: no meu corpo e nos rios da Chapada Diamantina, fluindo e pulsando. Um só sangue. Sugiro que os guias façam esta experiência com os visitantes. Boa oportunidade para uma reflexão sobre a importância da água em nossas vidas.

Água é vida

Água é vida

Como o dia estava nublado, muitas aves estavam cantando e era fácil avistá-las. Percebi que a RPPN, de fácil acesso, inclusive para a turma da melhor idade, é um ótimo lugar para se fazer observação de aves: cedo ou em dia nublado. Uma rocha ao alto, se for aberta uma trilha até lá, servirá também para observar a RPPN do alto e o vale do Rio Preto com as serras que o contorna. Excelente vista! Os urubus estavam em bando por lá aproveitando o visual.

Beija-flor

Continuando a trilha, passei por um pasto abandonado, e um enxame de gafanhoto pulava para todo o lado. Eles tinham um brilho diferente que me deixou curioso. Eram lindos! Vocês já ouviram o termo “nuvem de gafanhotos”? Eu estava andando sobre as nuvens.

Gafanhoto

Após ter passado pelos campos da RPPN e pelo pasto abandonado, comecei a caminhar entre árvores. Se o dia estivesse com céu azul, com certeza eu sentiria muito calor até este ambiente. Ilha de Mata Atlântica em estágio inicial de recuperação, só tive amplidão de visão ao chegar no rio Paraguaçu – Parque Nacional da Chapada Diamantina, exatamente no Poço Redondo.

O Poço Redondo já foi trabalhado por garimpo de diamantes. Hoje não há exploração de minério nele. Há um local de acampamento que parece ser bastante utilizado. Não é uma vista cênica como a ponte do Paraguaçu em Andaraí, mas é um poço também que chama ao banho. E foi o que eu fiz.

Poço Redondo - Rio Paraguaçu

Poço Redondo – Rio Paraguaçu

Ao retornar no final do dia, bem devagar, a passos lentos pela Mata Atlântica, observei vários pássaros que vivem em ambiente de floresta. Muitos visitantes reclamam por não avistarem aves e bichos na Chapada. Eles estão na região. Porém há técnicas para isso, a exemplo da roupa (tem que ser tipo “camuflada”), sem perfumes, passos lentos, silêncio total, grupos pequenos, e muita paciência. Nós não vemos os bichos. Mas com certeza eles estão nos vendo.

Beija-flor-marrom (Colibri delphinae). Raro, encontrado somente em Roraima e na Chapada Diamantina.

Beija-flor-marrom (Colibri delphinae). Raro, encontrado somente em Roraima e na Chapada Diamantina.

Apesar de não ser divulgada pelo trade turístico de Mucugê, aconselho a trilha para observadores de aves. De outra forma, um bom guia intérprete (falo de guia que interpreta a trilha, e não a língua) pode enriquecer o passeio. Ainda mais se ele motivar a ciência e a vivência no ambiente natural através de técnicas que estimulam a percepção do visitante.

DSCN9292

Quem optar passar uns dias em Mucugê e quiser observar aves, vale a pena investir um dia de passeio saindo 5 horas da manhã para a RPPN até finalizar com um banho no Poço Redondo. Vários ambientes significam diferentes habitats de bichos e aves que vivem naquele ou neste ambiente.


Mapa imagem satélite

Rogério Mucugê

Antes de falar sobre esta expedição, é bom trazer uma preocupação para reflexão, principalmente aos moradores da Chapada Diamantina: os moradores da região parecem estar diminuindo sua presença nas serras, rios, vales e cachoeiras da região em seus momentos de lazer. Há poucos anos atrás, em uma geração anterior com dificuldade de acesso à internet e nenhum acesso aos meios de comunicação onde os bate-papos virtuais se tornaram o lazer, os encontros pessoais eram mais valorizados, onde os grupos de moradores, em sua grande parte formados por estudantes, guias e brigadistas de incêndios florestais, faziam trilhas e acampamentos pela região. Os valores humanos contemporâneos parecem ter envolvido a Chapada Diamantina em sua anestesia, onde o calor humano é substituído pelo das máquinas. Não que eu seja contra a tecnologia. Mas não estamos sabendo usá-la. Alguns sabem usá-la, e não é raro descobrir, ao pesquisar a internet, grupos de excursionistas e de expedicionários espalhados pelo Brasil, principalmente em áreas com forte apelo ao ecoturismo e ao turismo de natureza.

Ao convidar amigos da região para fazer trilhas e conhecer mais a Chapada Diamantina, é difícil encontrar parceiros, a não ser que os mesmos vejam oportunidades financeiras. Não é cabível em minha mente morar neste exuberante e único lugar no mundo com suas características próprias e não conhecê-la o quanto for possível, por prazer, por amá-la.

Por que não formar um Grupo Expedicionário na região, constituído por moradores com interesse em comum: conhecer a Chapada Diamantina? Não existe um único ser, seja guia, brigadista, garimpeiro, mochileiro, que conheça toda a Chapada Diamantina. É impossível em uma só vida, mesmo que se dedicasse exclusivamente a isso. Então, vamos conhecer nossa casa: a Chapada Diamantina, o quanto pudermos, dentro de nossas possibilidades. Assim, está em formação o Grupo Expedicionário Chapada Diamantina, informal, mas com responsabilidade e organização.

 

No dia 10 de janeiro de 2015 houve a primeira expedição, no município de Andaraí. A intenção era conhecer a Cachoeira do Ramalho por cima, já que a trilha por baixo é bem conhecida e é um dos principais cartões postais de Andaraí e da Chapada Diamantina, situada dentro do Parque Nacional. Nenhum dos integrantes do grupo conhecia esta trilha, mas conheciam as redondezas. E assim fomos: eu, Homero, Tarcísio e Valter, os 3 últimos moradores de Andaraí.

Andaraí é conhecida por ser uma cidade quente. Cercada por rochas e em local baixo (400m de altitude), encanta por seu povo acolhedor, apesar do sofrimento histórico que este povo passou. E é de sua sede municipal que iniciamos a caminhada.

A trilha começa na mesma que dá acesso à Cachoeira do Ramalho por cima, mas logo à frente saímos e seguimos por uma trilha antiga de garimpeiros. Desde o início da trilha até chegarmos nos quilômetros finais, em área de solo arenoso, argiloso e de Mata Atlântica, a vista era de rocha remexida por todo o percurso. Segundo nosso amigo Homero, conhecido como Velho Urso, eram mais de 25.000 garimpeiros naquela serra.

Atravessamos o rio Baiano, afluente do Paraguaçu, que estava neste dia com bastante água, e começamos a subir a serra, até alcançarmos a vista da Cachoeira do Ramalho, um largo véu branco a embelezar as paredes da serra. No céu, uma águia-chilena estava sendo expulsa por um pequeno pássaro, provavelmente por seu ninho estar sendo ameaçado pela ave.

Mais à frente, avistamos a cidade de Andaraí e o rio Baiano do alto, e então percebemos que estávamos entrando no Parque Nacional, não por qualquer placa, mas pelo GPS. Nesta região não há nenhum indicativo, nem cerca, que indique o início da Unidade de Conservação. Este fato é evidenciado pelas inúmeras entradas que tem o Parque, e este relato serve como mais um documento que alerta para esta necessidade, apesar dos esforços da administração local da Unidade.

Não achamos a trilha que dava acesso à Cachoeira do Ramalho por cima, e preferimos não forçar a barra abrindo picadas, trilhas, etc, até mesmo porque a área está na Zona Primitiva do Parque, que não permite abertura de picadas e novas trilhas. Seguimos por trilha antiga de garimpeiros até esta se fechar, e retornamos e continuamos a seguir a trilha aberta. Esta começou a se afastar da Cachoeira do Ramalho, e foi quando tivemos que decidir em continuar procurando por ela ou seguir em frente, para ver onde esta trilha iria sair. E decidimos pela última opção, considerando também o horário do sol.

À medida que fomos caminhando, observamos a monotonia do ambiente, com pouca diversidade de espécies da flora e nenhuma fauna, salvo as aves que às vezes transmitiam seu canto. O que pudemos perceber, já que era berrante, era todo o percurso totalmente revirado pelo garimpo. Cascalho solto, terra revirada em barranco, pontes artesanais, tocas, e outras amostras históricas de um antigo garimpo. Nos questionamos porque aquela área foi inserida no Parque Nacional, e se foi inserida talvez seria para ser um museu do garimpo ou algum elemento histórico-cultural. Mas fato é que andamos mais de 12km em destroços do garimpo.

Finalmente, a trilha acabou em um barranco de garimpo. E agora? Retornamos, enquanto observamos o vale do rio Garapa, de domínio territorial de Tarcísio, uns 2km abaixo? Não. Seguimos por velhas trilhas, desviando, pulando fendas, escorregando nos cascalhos, pulando rochas, passando por pilhas de pedras agrupadas. Imaginei toda aquela serra com milhares de garimpeiros em cima dela. E hoje: só resquícios de uma “indústria” garimpeira que elevou as cidades do circuito do diamante (Mucugê, Andaraí, Lençóis e Palmeiras) e batizou a região de Chapada Diamantina nas águas do Paraguaçu.

Após este trecho cansativo, chegamos na casa de Miguel, na região do Brigadeiro – Garapa, não mais utilizada por ele. Tomamos um cafezinho que carregamos na mochila e seguimos por trilha, agora bem aberta, até passarmos já à noite pela Mata Atlântica de Andaraí até sairmos do Parque Nacional, retornando para a cidade de Andaraí.

Esta trilha não é indicada para turismo, e nem o Plano de Manejo do Parque direciona para isso. Ela deve der feita somente para necessidades de emergência, a exemplo de combates a incêndios florestais. Apesar de eu sempre citar que cada passo na Chapada é um atrativo, não há diversidade de ambiente neste percurso, estando a vegetação ainda degradada, em área rochosa totalmente revirada pelo garimpo. Para o turismo, existem outras opções mais diversificadas em trechos mais curtos. Foram 18km de trilha em 12 horas, sem muito descanso.

Pretendemos fazer a próxima expedição na Serra do Orobó, no município de Ruy Barbosa, fora do eixo explorado pelo setor turístico na Chapada Diamantina. Esta serra é conhecida pela sua exuberante Mata Atlântica em transição para a região de Caatinga (Mata Seca).

Rogério Mucugê Miranda, em 15/01/2015

Mapa com legenda